Amanhã serão exatos três meses que estou desempregada.

É engraçado como tudo acontece tão rápido e a gente passa boa parte do tempo tentando justificar, entender e aceitar as nossas decisões. Larguei o trabalho por um motivo maior: minha saúde. Nos últimos 10 anos da minha vida, agrande preocupação da minha vida foi a saúde dos outros: primeiro, um tio que inicialmente perdeu a perna (até onde eu me lembro, as veias que drenam sangue enfraqueceram e simplesmente “deixaram de alimentar” aquela parte tão importante do corpo) e mais tarde a vida; o segundo tio teve alguns/vários ataques cardíacos e, depois de não largar o bingo e o cigarro, acabou indo também, deixando a minha tia em um misto de frenesi e tristeza, me fazendo perguntar diversas vezes sobre o sentido da vida; por último, e mais importante do que os dois, foi o meu pai. Ainda me dói terrivelmente ter que falar ou pensar sobre isso.

Nota mental eterna: Câncer é uma doença filha da puta.

Não que eu não tenha tido o meu próprio espaço pra me preocupar com a minha saúde: nasci com três sopros no coração e descobri esses dias que, no meu primeiro mês e tanto de vida, minha mãe tinha tanto medo do que poderia acontecer que não saia de casa comigo (afinal, eu fui tida como um bebê frágil). Na real, eu nunca senti muito o efeito do sopro. Fora o fato de ter um cardiologista desde sempre e, anualmente, fazer ecocardiografias tenho uma vida normal e sem limitações. Nunca realmente me preocupei com o meu coração, sabia que tinha uma família extraordinária e um médico excelente que sempre acompanhariam qualquer alteração minha.

A única vez em que realmente comecei a me preocupar foi há, mais ou menos, seis meses atrás. Depois de conseguir me formar com boas notas e trabalhar 44 horas semanais em uma ótima empresa, meu corpo e mente me incomodavam mais do que durante a fase realmente estressante da minha vida. Tinha enxaquecas terríveis que começavam pela manhã e não terminavam, mesmo depois do clássico paracetamol. Resolvi aproveitar o tempo que (agora) eu tinha e fazer uma revisão geral na minha saúde. O primeiro médico a ser visitado: o cardiologista.

Fui até ele e fiz uma bateria de exames, alguns deles doeram mais no psicológico do que no físico e me deixaram nervosa por um bom tempo. Com os resultados na mão, tive um momento quase de cinema: leve quadro de hipertensão. A solução: seis meses para emagrecer, fortalecer meu corpo (e o meu coração), desestressar e voltar ao cardiologista. Se o quadro for o mesmo, remédios para pressão goela abaixo.

Foi nessa hora que eu me apavorei. EU SEI, pode ser que eu tenha exagerado um pouco, mas o fato é que com a pressão alta e o sopro eu estou fazendo o meu coração se desgastar mais rápido do que deveria. E coração é coração. Não tem meia história, não tem aparelhinho…deu merda, já era. Em simples e básico português: F-O-D-E-U.

Em função disso saí do trabalho e comecei quase que um processo obrigatório de autoconhecimento. Não que eu realmente precisasse sair do emprego, mas achei melhor. Depois de tudo que já passei com e pela minha família, tenho certeza que fiz a melhor escolha.

Os resultados? Faço aulas de ballet e ritmos, somando um total de 4 aulas e 5 horas semanais de exercícios aeróbicos. Fui na nutricionista apenas uma vez pra ver quanto peso tinha perdido, mas o fato de que as minhas calças de número 40 já estão começando a ficar largas, me parece um bom sinal e um fator extra para a minha pseudopreguiça de admitir que eu não cumpri a dieta exatamente, mas mesmo assim emagreci.

E agora estou aqui, abrindo meu coraçãozinho neste longo e cansativo texto. Espero que alguém leia até o final 😉

Um beijo grande do fundo deste coração ruidoso.

Anúncios